Por que devemos comemorar o dia internacional das mulheres?

Por Juliana Thá

        A ideia de “direitos das mulheres” é algo recente. Se olharmos durante toda a história da humanidade, as mulheres nada mais eram do que propriedades de suas famílias e depois de seus maridos. No Brasil, foi apenas no século XIX que as mulheres conquistaram o direito de ir à escola, o que não foi visto com bons olhos na época. No século XX novas conquistas vieram. Pela primeira vez a Caixa Econômica Federal permitiu que mulheres casadas possuíssem depósitos bancários em seu nome, mesmo que apenas com a aprovação do marido. Na década de 60, as mulheres brasileiras receberam o direito de trabalhar sem a autorização dos maridos, assim como também receber herança. Pensar que em um passado de menos de 100 anos a mulher não podia ter conta em banco, votar e nem mesmo trabalhar sem precisar da autorização de um marido, é assombroso.

       Cresci com uma mãe trabalhadora. Ela sempre trabalhou e estudou muito. Desde que eu era pequena, minha mãe me ensinou que o estudo e o trabalho são pilares imprescindíveis na vida de uma pessoa. Minha mãe sempre foi minha heroína. Mulher forte que balanceava como ninguém a vida profissional e a vida pessoal. Minha mãe é a maior representação da mulher moderna: sempre com um malabarismo entre casa, filha, marido, trabalho e ainda conseguiu concluir 2 mestrados e inúmeros cursos de aperfeiçoamento.

       Com o exemplo da minha mãe, nunca vi as mulheres como “menos” que os homens e até os 24 anos eu sempre tinha sido tratada com igualdade pelos meus chefes e colegas. Acreditava que o “preconceito por ser mulher” era invenção, pois nunca tinha acontecido comigo, até que aconteceu. Em uma entrevista de emprego, tive meu currículo diminuído pelo entrevistador. Mesmo assim consegui uma vaga. Não era a vaga para a qual eu tinha me inscrito, mas estava empregada. O chefe, com quem eu tinha feito a entrevista, justificou que eu não tinha conseguido a vaga por falta de experiência, a qual eu tinha, mas aceitei a justificativa calada. No meu primeiro dia descobri que uma das pessoas que havia conquistado a minha vaga pretendida, não tinha experiência nenhuma na posição e fui eu quem o ensinou muito do que ele tinha que fazer. O tempo passou e após um ano, descobri que eu e minhas colegas mulheres éramos as que recebiam o menor salário, mesmo nossa posição não sendo a mais baixa da equipe. Não aguentei trabalhar por mais muito tempo lá e até hoje tenho péssima impressão da empresa.

        Contei este breve relato pois acredito que, mesmo já tendo conquistado tantos direitos nos últimos séculos, nós mulheres ainda estamos atrás. As mulheres ganham em média 76,5% do rendimento dos homens. A presença das mulheres no alto escalão das empresas é muito mais baixa. Apenas 39,1% dos cargos gerenciais pertecem às mulheres. Sem contar que 73% das mulheres ainda são as únicas encarregadas pelo serviço doméstico, ou seja, no mínimos elas possuem uma jornada dupla.

        Neste dia internacional da mulher, homenageamos todas as mulheres, mães, trabalhadoras que buscam reconhecimento justo de seu esforço. O HUS coworking apoia a igualdade salarial e a igualdade no mercado de trabalho entre os gêneros.